[Artigo #1] Construir um baralho para um torneio

Já alguma vez olhaste para uma deck list e pensaste: “mas que raio é que ele está a fazer?!”. Com maior ou menor frequência, alguns destes decks estranhos já foram preparados para alguns eventos ou torneios específicos onde iriam jogar. Cada torneio é um novo desafio. Podemos olhar para o torneio como um teste lá da nossa escola. Cada teste é diferente e para obteres um bom resultado vais ter sempre que ter em conta novas informações sobre as quais vais ser testado. De maneira a “estudar” de forma adequada para um evento que vai acontecer deves considerar alguns pontos chave.

  • Que tipo de torneio é?
  • O que aconteceu no torneio mais recente ou no último que participaste?
  • Que cartas estão a ganhar ou a perder popularidade?
  • Que cartas tenho para construir o deck?

Estas quatro perguntas vão ajudar-te a perceber de que forma é que te podes colocar numa boa posição para o torneio em que vais participar. A tua deck list é o elemento mais importante para teres um bom desempenho, o que significa que vais querer adaptar a tua lista a cada evento em específico, isto a menos que os adversários mantenham sempre a mesma estratégia e insistam em continuar com as jogadas que toda a gente lá da loja já conhece. Cada torneio é um torneio diferente.

Que tipo de torneio é?

Aqui neste ponto é importante pensar no número de pessoas que podem participar. Se estivermos a falar de um torneio semanal, daqueles em que a média são as 8-10 pessoas, então se calhar a preparação que isso envolve é menor e provavelmente os adversários que te podem calhar nas rondas são os mesmos que te calharam a semana passada, e aí tu já conheces as estratégias, e possivelmente que side board vão escolher usar contra ti. Até pode ser altamente improvável encontrares decks de tier-0 e tier-1.

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Se estivermos a falar de torneios de maior dimensão, com mais participantes, que possam vir de diversas zonas do país e quiçá do mundo, aí convém informares-te daquilo que é jogado na comunidade deles, do nível competitivo a que estão habituados, se por lá coexistem muitos decks populares como é o exemplo dos Qliphorts, Nekroz, Burning Abyss, etc. Isto porque são decks que envolvem muito mais cuidado e um sideboard mais capaz para tratar de conter as suas estratégias.

Contudo, e voltando ao panorama a que estamos habituados, nunca deixes de te preparar para um torneio semanal de forma adequada. Espera encontrar decks de tiers mais baixos mas bons decks, e teres um sideboard ou um main deck “techado” para esses matchups pode definir se ganhas tu ou se ganha o adversário. Com isto também não quero dizer que têm de fazer side-deck contra Crystal Beasts, mas adapta-te aos teus adversários.

O que aconteceu no torneio mais recente ou no último que participaste?

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Se estivermos a falar, novamente, dos torneios semanais é muito provável que o oponente seja o mesmo, que o deck que ele joga seja também o mesmo e que pouca coisa no sideboard dele mude de uma semana para a outra, ainda assim, e novamente outra vez, prepara-te para isso.

Por exemplo, se sabes que na semana passada o “Quim” (nome fictício) jogou de Gravekeeper’s e foi o Quim quem te tirou o top4, então se calhar devias considerar preparar-te melhor para isso.

Se falarmos no panorama de YCS (Yu-Gi-Oh! Championship Series – torneios mais importantes e de maior dimensão que ocorrem atualmente, tirando mundiais e europeus e afins), se calhar olhar para os resultados do último torneio é a melhor forma de se preparar. Por exemplo, se na semana passada o deck mais popular foram Nekroz, com 70 participantes num total de 136, então se calhar é certo que vou apanhar com algum Nekroz nas rondas. Toca a fazer sideboard para isso que assim passamos a fase de rondas.

Voltando aos testes da nossa escola, se sabes que a grande maioria das perguntas vai sair é sobre o capítulo 3 se calhar era bom começar por estudar essa parte, ou então a coisa pode correr mal! Muito mal!

Que cartas estão a ganhar ou a perder popularidade?

Após a conclusão de um torneio, geralmente, consegues ver online as deck lists desse evento. Isto, claro, no caso dos grandes torneios. Vamos novamente usar como exemplo um deck de Nekroz, e queremos avaliar as escolhas mais técnicas de cada jogador.

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Tech cards num deck de Nekroz:

  • 5/9 Decks de Nekroz usaram Effect Veiler no main deck
  • 5/9 Decks de Nekroz usaram Maxx “C” mas apenas 2 usaram Maxx “C” no Main deck
  • 6/9 Decks de Nekroz usaram no side deck o Kycoo the Ghost Destroyer
  • 6/9 Decks de Nekroz usaram Denko Sekka mas apenas 1 usou no main deck a Denko Sekka
  • 5/9 Decks de Nekroz usaram no side deck as Fire/Ice Hands
  • 3/9 Decks de Nekroz usaram Psi-Blocker no main deck
  • 6/9 Decks de Nekroz usaram Shared Ride e apenas 2 a usaram no side deck

Ok, vamos agora às conclusões brilhantes deste artigo. Com base nos dados acima o que percebemos é que a tech card mais popular nestes decks é a Shared Ride. Isto é, não é uma carta fundamental ao deck, mas que dá uma ajuda enorme a qualquer deck. Não pertence essencialmente aos Nekroz, é uma carta pensada para sideboard mas que foi muito usada no Main Deck desses jogadores. E isto revela o processo de pensamento deles à entrada de um grande torneio.

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Outras cartas muito jogadas a Main Deck foram Effect Veiler e Maxx “C” o que possivelmente se pode explicar pela presença de muitos decks de Qliphort nesse evento.

No nosso caso, e até porque não é fácil obter muitas dessas cartas pela sua raridade e preço, não é necessário toda esta ginástica, mas o artigo serve essencialmente para encorajar a uma maior preocupação com a parte estratégica do jogo. Quantas vezes já não ouviste a desculpa: “Ah e tal, o teu deck dá counter ao meu… Não posso fazer nada!”?

Que cartas tenho para construir o deck?

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Obviamente que ninguém aqui tem todas as cartas em quantidades de 3, e às vezes queremos fazer um deck especial e todo XPTO e não podemos porque simplesmente não temos as cartas necessárias. Geralmente podemos pedir aos amigos para emprestarem uma ou outra que falta mas às vezes isso também não é possível e então o importante é ser criativo.

Por vezes comprar duas ou três cartas que vemos nos grandes torneios pode sair muito caro ao ponto de tal não compensar e, no nosso caso dificilmente compensa. Devemos então pensar porque motivo é que aquela carta estava ali a ser usada. Existem montes de cartas com efeitos semelhantes, por vezes não tão bons mas que chegam ao mesmo fim, porque não dar-lhes uso? Se estamos a jogar contra Qliphorts (um deck que usa muito Pendulum scales e Spells ou Traps), por exemplo, se calhar era uma boa prática arranjar umas Dust Tornado ou Twisters no caso de não conseguir algo melhor.

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O artigo já vai grande mas o importante a reter é que a preparação para um torneio é fundamental para manter tops constantes e, quiçá vencer torneios semana após semana, e que a criatividade é algo muito interessante neste jogo e que vale muito a pena. Joguem e divirtam-se.

2 Responses to [Artigo #1] Construir um baralho para um torneio

  1. André Gonçalves diz:

    Ótimo artigo! Continua! :D

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